VIDA E OBRA DE FIALHO DE ALMEIDA

NOTA BIOGRÁFICA

 

José Valentim Fialho d’Almeida  nasceu a 7 de Maio de 1857 no Largo da Misericórdia, em Vila de Frades, concelho de Vidigueira, sendo seus pais Valentim Pereira d’Almeida, natural de Oleiros, e Mariana da Conceição Fialho, de Vila de Frades.

O pai era um mestre – escola na aldeia de Vila de Frades, e em 1866 internou-o no Colégio Europeu, ao Conde Barão, em Lisboa, quando José Valentim tinha 9 anos; da família já constava uma irmã, Maria de Jesus, nascida em 1861, e veio a alargar-se com o nascimento do irmão, Joaquim Tomás, em 1867.
 
As dificuldades financeiras levaram Fialho d’Almeida a sair do Colégio, e a iniciar em 1872 o trabalho de ajudante de farmácia, em Lisboa, no Largo do Mitelo, onde viveu anos em condições difíceis, que nos descreve com muita clareza, mas que lhe permitiram conhecer aquelas em que o povo vivia nos bairros pobres da cidade.
 
Quanto ao prosseguimento de estudos, o caminho não foi fácil para Fialho d’Almeida, pois a morte do pai obrigou-o a vir apoiar a família em Vila de Frades, onde permaneceu um ano, após o qual regressa então a Lisboa e virá a concluir o curso de Medicina em 1885. Mas, como o próprio afirma, não se fez médico e optou pela aventura da escrita, de que não seria fácil obter grandes proventos.
 
Em termos literários, iniciara no ano de 1874 uma colaboração no jornal  Correspondência de Leiria, que virá a abandonar em 1877, ano em que escreve o texto «O funâmbulo de mármore». Em 1886 foi director literário do jornal  O Interesse Público, e em 1888 é secretário de redacção de  O Repórter, sendo que data de 1881 a edição de Contos, que dedica a Camilo Castelo Branco.
 
No quadro da evolução política do País, Fialho d’Almeida é tido na Monarquia como Republicano, depois Franquista, crítico do Regicídio, e após a implantação da República apontado como inimigo do regime.
 
O seu casamento com Emília Augusta Garcia Pêgo, em 1893, que se dissolve com a morte desta no ano seguinte, faz com que Fialho d’Almeida se instale em Cuba, dividindo-se entre esta localidade e Vila de Frades, e tornando-se um proprietário agrícola.
 
Ao gosto pela escrita, Fialho d’Almeida junta a gestão da actividade agrícola e as viagens, por exemplo à Galiza. Veio a falecer a 4 de Março de 1911, no regresso de Vila de Frades à sua casa de Cuba, sendo nesta vila que está sepultado, com a família, em jazigo próprio. 


OBRAS PUBLICADAS


LIVROS EDITADOS EM VIDA

A Cidade do Vício, Porto, 1882
Os Gatos   (publicação semanal e depois mensal; 57 opúsculos reunidos actualmente em 6 volumes), Porto, 1889-1894Pasquinadas (Jornal dum Vagabundo), Porto, 1890
Lisboa Galante (Episódios e Aspectos da Cidade), Porto, 1890
Vida Irónica (Jornal dum Vagabundo), Lisboa, 1892
O País das Uvas, Lisboa – Porto, 1893
Madona do Campo Santo, Coimbra, 1896
À Esquina (Jornal dum Vagabundo), Coimbra, 1900


LIVROS PÓSTUMOS

Barbear, Pentear (Jornal dum Vagabundo), Lisboa, 1911
Saibam Quantos … (Cartas e Artigos Políticos), Lisboa, 1912
Estâncias de Arte e de Saudade, Lisboa, 1921
Aves Migradoras, Lisboa, 1922
Figuras de Destaque, Lisboa, 1924
Actores e Autores (Impressões de Teatro), Lisboa, 1925
Vida Errante, Lisboa, 1925
Cadernos de Viagem – Galiza, 1905, Santiago de Compostela, 1996
Cadernos de Viagem – Galiza, 1905, Lisboa, 2022


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